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Visualizando- Por que ampliar limites e aprender coisas novas? por Ana Lúcia de Mattos Santa Isabel

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Vez  por outra, me perguntam por que insisto tanto com os coachees que oriento na necessidade de ampliar suas áreas de interesse, ler livros que habituamente não leria , ver  filmes fora do padrão costumeiro; por que andar por ruas desconhecidas; estudar uma  nova língua ou História da Arte, por exemplo. 

A resposta é seguinte: seu cérebro ficará melhor, mais capaz.

O cérebro tem dois hemisférios, esquerdo e direito. Cada hemisfério tem funções e propriedades diferentes.

Na década de 50, o neurofisiologista americano Roger Sperry, prêmio Nobel em 1981, descobriu que os dois hemisférios do cérebro têm funções diferentes no comando das emoções e do conhecimento. Desde  então, novos achados permitem que se tenha hoje uma idéia bastante aproximada do funcionamento cerebral.Os estudos de Sperry comprovaram a lateralização do cérebro e identificou funções diferenciadas para cada um.

São funções do hemisfério direito: intuição, cooperação,musicalidade, imaginação, emoção, sensações, espontaneidade, visão do todo, sabedoria, espiritualidade, reunir, atividade ecológica, criatividade artística.

São funções desempenhadas pelo hemisfério esquerdo: razão,competição, lógica, linguagem verbal, ações calculadas, visão das partes, dos detalhes, conhecimento, valorização da matéria, separar, atividade egocêntrica, criatividade operacional. 

Enquanto o hemisfério direito tem uma orientação dionisíaca , o esquerdo tem uma orientação apolínea.Em linguagem oriental, o primeiro é Yin e o segundo é Yang 

O hemisfério esquerdo é o centro da linguagem. É ele o hemisfério que fala e em conexão  a este hemisfério está o conceito de ser consciente , ou EU. É analítico e sequencial. Pode somar, subtrair, multiplicar  e realizar qualquer tipo de operação computável, e este domínio deriva da sua habilidade verbal e de sua ligação com  a consciência. É um hemisfério aritmético. Percebe os detalhes, as sequências . É a sede do pensamento racional, analítico, lógico, objetivo. Sua visão é fragmentada, percebendo os detalhes, as nuances, a complexidade . Interpreta literalmente . É o domínio da Ciência , do conhecimento, do cognitivo. Nele moram o individualismo e a competitividade.

O hemisfério direito apresenta uma grande capacidade em todas as espécies de desenhos geométricos e de perspectiva. É um hemisfério geométrico .Nele residem o temperamento artístico,  a criatividade,  a invenção,  a capacidade imaginativa, os sonhos.É a sede do pensamento intuitivo, sintético, subjetivo. Tem uma visão holística do todo, do contexto, dos padrões. Percebe as intenções ocultas , o duplo sentido. O espírito grupal e o instinto de cooperação aí residem , bem como a melodia e as imagens. 

Os hemisférios são separados anatomicamente mas não funcionalmente , já que as fibras do corpo caloso que funcionam como uma espécie de ponte entre os dois hemisférios , possibilitando que o cérebro trabalhe de uma forma integrada , única . Infelizmente , isso nem sempre ocorre. 

A educação ocidental, ao longo dos últimos 200 anos, tem se preocupado em desenvolver basicamente os aspectos referentes ao hemisfério cerebral esquerdo . As escolas oferecem programas que privilegiam certas atividades em detrimento de outras. Ao nascer, o hemisfério esquerdo vem dotado de uma leve tendência verbal.Quando se apresenta um estímulo relacionado com  a linguagem , ele se especializa mais um pouco nesse sentido . Então, um sistema educacional que se baseie em palavras tenderá a reforçar cada vez mais o hemisfério esquerdo . E a minimizar tudo que tem a ver com a intuição e  a imaginação. 

Quando oferecemos ao ser humano um número limitado de opções, inibimos o seu pensamento criativo, cortando a possibilidade  que ele tem de inventar uma alternativa diferente das que foram oferecidas. 

Entre os cientistas ocidentais, o hemisfério esquerdo é conhecido como “dominante “ e o direito como “secundário”. Essa qualificação já demonstra a predominância da visão mecanicista no estudo do cérebro, uma vez que é considerado como dominante o hemisfério onde prevalecem aquelas funções ditas racionais, lógicas, matemáticas, reducionistas, analíticas.Tendemos inclusive  a identificar o “eu” com  a parte esquerda do cérebro , privilegiando o “eu” verbal , o “eu “que fala , em detrimento do “eu”que sente e que reside no lado direito . As competências do hemisfério direito , como a intuição , são consideradas como coisa sem importância na nossa sociedade ainda mecanicista. E é por isso que  a intuição sempre vem acompanhada do adjetivo “feminina “, uma classificação profundamente sexista e limitadora.

Não existem funções masculinas ou femininas quando se fala de hemisférios cerebrais. Na verdade, as mulheres são mais intuitivas do que os homens , não porque isso seja uma tendência inata, mas porque a educação ocidental , quando se trata dos meninos , sempre privilegia  a razão, qualidade considerada mais importante que  a intuição.Quanto às meninas, permite-se que que sejam intuitivas , coisa que é vedada aos homens. Deles é exigido que se comportem sempre segundo os ditames do lado esquerdo . Imaginem um executivo, numa reunião de negócios , ou um líder político na reunião do comitê do partido iniciar dizendo: “-Senhores , -ou companheiros - vou tentar ser o mais emocional, subjetivo e intuitivo  possível ....”

Apesar de não dominar  a linguagem, o hemisfério direito domina a inflexão, o colorido, o tom emocional da fala. É ele que permite a um ator arrancar lágrimas da plateia ou fazê-la dobrar-se de rir apenas com a palavra.E  embora usemos o hemisfério  esquerdo para dizer “eu te amo”, é com o hemisfério direito que emprestamos emoção e veracidade  a esta afirmação.

Função importantíssima do hemisfério direito é a capacidade de perceber padrões, que consiste na possibilidade de reconstruir  ou reconhecer o todo baseado na visualização apenas de alguns de seus traços . É graças a essa habilidade que  o médico consegue , a partir de sintomas isolados , chegar  a um dignóstico; que o industrial ou comerciante consegue prever tendências de mercado; que qualquer pessoa pode identificar uma forma sugeridas por apenas umas poucas linhas . Permite-nos reconhecer uma pessoa depois de vários anos sem vê-la, apenas por alguns traços fisionômicos. A possibilidade de perceber padrões é crucial para nós, pois, é graças a essa capacidade de tirar conclusões as mais completas possíveis  a partir de informações mínimas que nos tornamos mais equipados para sobreviver. 

Apenas o hemisfério direito percebe as intenções ocultas, o duplo sentido, as entrelinhas ,  a graça da anedota. A vida seria muito insípida se não dispuséssemos dessa capacidade de ver além do que se apresenta à nossa realidade objetiva. Além disso, é o cérebro direito que nos permite superar situações de crise, de ameaça . As pessoas mais racionais , que usam preferencialmente o lado esquerdo do cérebro , têm dificuldade para sobreviver nesses  períodos, pois lhes falta intuição e criatividade para descobrir as soluções. 

Não existe um hemisfério mais importante do que o outro. Na verdade, os dois têm funções complementares.É esse o motivo pelo qual nos sentimos bem quando desenvolvemos uma  atividade que une funções dos dois hemisférios . Quando cantamos, por exemplo, o fazemos com o cérebro total , já que as palavras estão no domínio do hemisfério esquerdo e a melodia na área do hemisfério direito . O ditado popular que diz que “quem canta seus males espanta “ quer dizer tão somente que quando nos sentimos íntegros, inteiros - o que conseguimos cantando, funcionando com o cérebro total-fica mais fácil fazer frente ao estresse do dia-a-dia, aos desafios com que nos defrontamos na nossa existência. As crianças cantam quando estão com medo, os exércitos cantam quando vão à guerra, e nas noites de sexta-feira os bares estão cheios de pessoas que se reúnem em torno de um violão, buscando no canto de velhas e conhecidas canções , uma forma de se recuperar de semana estafante.                                                    

Através do estudo e da compreensão das funções cerebrais, parece que conseguimos identificar um dos principais problemas do paradigma cartesiano-newtoniano: ênfase nas atividades do lado esquerdo do cérebro em detrimento das do lado direito . A observação da realidade nos  mostra que é assim mesmo .

Todo o antigo paradigma  é construído em cima do racionalismo, da fragmentação , das letras e números .Esta concepção fragmentada é a tônica ainda na maioria de nossas organizações.

Porém, a  realidade está lentamente sendo transformada. Processos seletivos para posições mais desafiadoras e recompensadoras tendem cada vez mais buscar pessoas  com as competências do hemisfério direito já desenvolvidas e valorizadas.

Nós , ocidentais, temos as funções do hemisfério esquerdo mais desenvolvidas do que as do direito. Fomos estimulados pela nossa história de vida, educação e cultura a valorizar as ações comandadas pelo lado apolíneo. Tornamo-nos muito críticos , competitivos, egocêntricos  e extremamente racionais. Temos dificuldades de expressar emoções , intuir, cooperar, imaginar e sentir. Estas características levadas ao exagero, geraram um quadro de patologia social, de aumento de doenças psicossomáticas , e  de desgaste das relações interpessoais no trabalho e na família. 

Talvez por uma necessidade de sobrevivência, há, modernamente, todo um movimento de busca de  equilíbrio. 

Descobrimos que temos condições de mudar padrões de comportamento e de hábitos.

Temos usado alguns detonadores intencionais para ativação das funções do hemisfério direito.      

A busca da Qualidade, a filosofia de melhoria contínua , a consciência da necessidade de motivação permanente , a utilização de processos de Coaching sinalizam uma significativa mudança de atitudes comprometida com o novo paradigma.

As inovações  são necessárias  e prementes.Basicamente, essas modificações devem atender a pontos fundamentais que , dentro de uma abordagem  sistêmica, permitam superar os desafios desse deste  século.               

A cosmovisão de que precisamos deve ter condições de corrigir a enorme deformação efetuada  a partir do século XIX e que se agrava  a cada dia que passa: a intelectualização levada ao extremo. Embora o racionalismo científico reforçado por essa deformação nos tenha trazido bem-estar material , conforto  e progresso tecnológico, isso tem ocorrido em detrimento de uma visão global das coisas , dos valores, do amor, da beleza, do sentido profundo da vida , do respeito a todos os seres , enfim, à custa da dignidade humana. 

A visão sistêmica, orgânica, holística, despertará no homem essa imensa força de sabedoria e de amor oculta no coração de cada um . 

O conhecimento muda a cada dia nesta era de rápido progresso científico . Dentro de uma visão holística da administração , deve haver um encorajamento constante da divergência e do pensamento criativo por parte de todos os envolvidos, e um estímulo à participação e à integração das diversas faixas funcionais . O desenvolvimento do auto-conheciemnto e , consequentemente, da auto-estima é fundamental. Seres humanos com elevada auto-estima, felizes consigo e com o que fazem , geralmente conseguem desempenhos excelentes.A experiência deve complementar de forma ampla o conhecimento teórico e abstrato , criando uma relação realmente sinérgica. 

Compreendidos o funcionamento e a importância do cérebro, que tal começar o ano dando atenção  seu hemisfério direito? 

Faça um verso, aprenda um instrumento, viaje; experimente novos sabores e alimentos; visite um Museu; aprenda a linguagem da  Arte nem seja um pouquinho. Reinvente-se em 2012.

 

Currículo da Especialista:

Ana Lúcia de Mattos Santa Isabel

analucia@orioncomunicacao.com.br

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