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Visualizando- Psicose pós parto por Ana Sardinha

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1-Introdução
A gravidez é um evento que é entendido socialmente como um estado de alegria e contentamento. Talvez por isso, exista uma dificuldade grande em admitir que nesta fase da vida algo poderia estar fora de controle e pior ainda, que este momento deverá ser compartilhado com outros profissionais da saúde além do ginecologista e do pediatra.
Quando falamos em quadros associados a transtornos mentais na gravidez, logo pensamos em depressão pós-parto, o que não está errado visto que é o transtorno mais comum do puerpério (Ruschi, 2007).
Segundo Ewald, 2005 a maioria das mulheres apresentam sinais depressivos após o parto. Isso acontece porque essas mulheres são obrigadas a encarar a criança como um ser separado de seu corpo e que se diferencia da fantasia concebida durante a gestação.

Portanto dá-se a passagem de algo interno, que dava uma sensação de completude a esta genitora, para algo externo que corta a sua onipotência materna (Ewald, 2005).

Segundo a autora, este será um tempo de adaptação, considerado normal, “da ordem da dor de uma separação” que tende a ser passado sem grandes intempéries pela nova genitora.
A psicose puerperal é um quadro mais raro, e a incidência encontrada foi entre 1,1 e 4 para cada 1.000 nascimentos (Bloch et al., 2003).
Em relação à separação na psicose, o que acontece segundo Ewald, 2005, é uma intolerância da mãe em aceitar essa separação. A fantasia inconsciente da mãe, vê no futuro bebê um objeto de completude e plenitude. Assim quando esta criança nasce, a mãe não reconhece como a criança da sua fantasia, a criança mítica, ocorrendo um estranhamento em relação a essa criança que será vista por vezes como persecutória e agressiva.
Aulagnier salienta que no nascimento de uma criança ocorre um encontro, de um lado uma mãe com seus desejos e fantasias inconscientes próprias da psique de um adulto, e de outro lado uma psique precária, cheia de demandas e necessidades próprias de um recém nascido. Esse encontro é entendido como uma violência primária, porém necessária para a estruturação do sujeito (Aulagnier, 1990).
Porém se essa violência perdura mais do que o necessário, instala-se o que o autor vai chamar de violência secundária que pode acarretar em sério risco de comprometimento psíquico.
Essa violência exerce um papel fundamental na organização psíquica da mãe e na estruturação psíquica do recém-nascido, podendo levar então a um quadro de psicose.
O delírio seria nesse contexto, uma tentativa de organização psíquica, uma forma de dar sentido onde não há sentido algum.

Trata-se de uma tentativa desesperada de tornar visível e dar sentido a vivências que encontram sentido numa representação no qual o mundo é apenas um reflexo de um corpo que se autodevora e se automutila (Aulagnier, 1990, p.65)

Se a psicose causa espanto para a população quando se trata de transtorno mental, associar a psicose com a gravidez é pouco aceitável até por profissionais da saúde fora do contexto psi. Existe medo e preconceito, foi o que observei em alguns hospitais por onde eu passei.

Para que isso possa ser transformado, é necessário mais informação e conhecimento por parte dos profissionais de saúde e da população em geral.

Curriculo da especialista:

Ana Sardinha

São Paulo, SP, Brazil

Psicóloga clínica Psicanalista, trabalho principalmente com questões referente ao processo de luto e morte, divórcios, comportamentos compulsivos e depressões entre outros problemas e doênças emocionais. Sou especialista em Psicopatologia pela USP e Acompanhamento Terapêutico. Atualmente sou psicologa do IPq (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo) onde atuo no ambulatório dos transtornos de personalidade. Atendo em consultório particular na região da Av. Paulista. prox ao metrô Paraiso Fone:(11)4119-5230/(11)8135-9533 email: arfsardinha@hotmail.com - Atendimentos: adolescentes e adultos


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