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Navegar é preciso, viver não é preciso.. etapas da vida

Há pessoas que sonham com a aposentadoria...  e por que não?

Depois de 25, 30 anos de trabalho, ter uma vida sem preocupações, horários, chefe, trânsito, preparo de aulas, alunos malcriados, excesso de trabalho... 

Difícil ou fácil aposentar-se?

Depende da pessoa, claro, mas eu diria que não é fácil; até parece fácil, num primeiro momento. Como uma grande “férias”. No começo, euforia!! Depois, ficamos meio perdidos, pelo próprio hábito do trabalho, do convívio com as pessoas, da sequência de ações já tão bem conhecidas.

Depois , uma fase de sentimento do vazio... porque, ao menos para uma boa parte das pessoas, produzir é algo que dá sentido à vida. 

Já vi pessoas que se aposentam e inventam coisas por fazer e a cada dia, uma nova invenção.

Há pessoas que vão fazer, quando o salário disponibiliza, tudo que não tinham tempo para fazer antes: aprender uma língua estrangeira, aulas de violão, hobbies,etc.,etc.

Outras arrumam um novo trabalho: é possível arriscar, já que há um salário garantindo o pagamento das contas no final do mês. 

Vender passagens e pacotes turísticos, abrir uma livraria, uma floricultura.

 

O que enfrentamos?

Algumas pessoas se deprimem porque é a finalização de uma etapa; há uma despedida, queiramos ou não, de algo que teve uma importância, profissional ou mais que isso, pessoal, e é claro que também, financeira. 

Há um adeus e todo adeus é dolorido.

É possível, por exemplo,  seguir  fazendo a mesma atividade. Eu estava bem  perto de uma pessoa, conhecida minha, quando chegou a hora da aposentadoria. 

Pensei então: “O que será que ela vai fazer? E alimentei minha imaginação... Na verdade esta pessoa foi recontratada pela mesma firma para realizar a mesma função. 

São escolhas e provavelmente esta era a que lhe parecia a mais segura.

Nesta ocasião há um desconhecido por perto e todo desconhecido, todo salto no escuro é assustador. 

O que vai acontecer?

O bom do salto no escuro é que  também pode nos levar a situações ainda melhores do que as vividas até então. Tudo pode ficar melhor do que antes. 

A angústia é aflitiva, mas podemos dar um passo numa direção ainda melhor.

É preciso também administrar os comentários dos que estão ao lado: que ótimo! Que pena!! Que chato!!! E agora??

- Esta é uma fase muito difícil!!! A mais difícil... será?

Acho que boa parte das pessoas, após ter feito, por exemplo, uma viagem, se esquece tudo de ruim que aconteceu e teve que enfrentar e passa, então, a elogiá-la. Lembra-se só daquilo que foi bom e bonito.

Assim fazemos, às vezes, com as fases da nossa vida.

 

As fases da vida.

Tão bom ser criança: tem alguém que toma conta de nós, provê nossas necessidades, põe a comida na mesa, saúde, disposição. 

Nem sempre: há pessoas que passam por muitas provações já nesta fase; ficam órfãs, passam aperto, e o pior, nem sempre tem amor por perto. 

Os medos, as provas de matemática, o escuro da noite. 

Ah! A adolescência, hormônios a mil por hora, aventuras!

As espinhas e a acne, o medo de assumir a vida adulta, o receio de ser rejeitado ou rejeitada, muitos namorados, nenhum namorado, o pai ou mãe que prende demais, ou de menos, o vestibular, o futuro, a saída de casa, a perda da virgindade ou não, etc,etc,...  Ser alta, ser muito alta, ser muito baixa; estar dentro do “modelito da época”; namorar, ficar, casar, juntar ????

Tem gente que fica por aqui o resto da vida... um eterno adolescente.

Casamos!!!

Casa nova, parceiro novo, vida nova... que beleza!!!

Contas para pagar, responsabilidades, espaços a serem delimitados, limites.Quem disse que tudo é beleza!!! O futuro?

Tem até quem diz que passa ileso a tudo e a todos, mas, confesso que não acredito muito, aliás, não acredito em ninguém que fala que “tudo é muito fácil!! Eu não senti nada, nunca tenho dor de barriga. Não sei o que é ter medo.”.

O medo, em grau adequado, é um ótimo aliado da vida!

Gosto muito da música do Vinícius de Morais que diz;

“O homem que diz sou, não é, porque quem é mesmo é não sou”

Outro dia estava no Auditório do Ibirapuera e ouvi uma pessoa estava atrás de mim dizer... “as pessoas acham que os solteiros são defeituosos!” 

Achei o comentário ótimo, como se todos nós tivéssemos que casar e ter filhos, netos e etc., etc., etc, ...

Continuando a vida, uma vez casados...Filhos... ter, não ter...

Primeiro filho: engordar, emagrecer, amamentar, mamar a qualquer hora, leite bom e farto, leite fraco,  os três primeiros meses, as primeiras noites, muitos palpites.

O bebê, o marido, somos três! Outra coisa às vezes bem complicada.

Mudanças do corpo, ou não.

E assim vamos....

Os trinta, os quarenta, cinqüenta, sessenta!!! 

O tempo...

Gosto muito de um cartão que um filho me presenteou por ocasião do meu aniversário. Dizia: 

“Feliz aniversário! Se parar pr’a pensar você vai concluir que está apenas um dia mais velha do que ontem.”

 

Para cuidar...

Alguns pontos dentro destas etapas devemos sempre considerar:

 

Preconceitos: grande problema: nossos preconceitos x preconceitos dos outros.

Penso que em todas as etapas  uma das maiores dificuldades  são os preconceitos; pior do que o preconceito dos outros, são os nossos preconceitos: o que eu posso e o que eu não posso (?).

Coincidentemente por estes dias encontrei duas mulheres que fizeram o mesmo comentário. Disseram ao me encontrar:

- Eu me lembrei  de uma coisa que você disse há um tempo atrás.

Perguntei: o que foi?

As duas, em encontros diferentes, disseram: 

”Eu posso fazer o que eu quiser; só não posso fazer aquilo que eu não dou conta ou  que invade o espaço do outro; mas aquilo que eu dou conta, eu posso fazer, sempre.”

 

a) O preconceito é um fator de inibição em qualquer momento de nossas vidas: não posso mais usar tal roupa; não posso mais dançar; não posso namorar; não posso aprender; não posso sonhar mais; não posso mais realizar. 

Ora, por que não? Quem foi que disse que eu não posso?

Conheço uma senhora de 94 anos que me disse duas frases que marcaram:

- Quando eu olho no espelho de manhã, lembro que tenho 93 anos... depois, eu esqueço.

- A gente envelhece, mas continua querendo as mesmas coisas.

Esta mesma senhora tem uma coleção de Papais Noéis com mais de 50 bonecos que dançam, requebram, cantam, e todo natal ela os arruma para alegria dos netos e bisnetos. 

Por que não?

Há uma criança dentro de nós que  não deve morrer, nunca!

Existem pessoas que dependem tanto da avaliação dos outros que fica quase impossível ter uma identidade e uma personalidade próprias. 

Este é um ponto que devemos cuidar, sempre. 

b) O controle excessivo de tudo!

Outro aspecto importante a considerar que aparece no jeito de ser de algumas pessoas e muitas vezes nas mudanças: a necessidade de tentar controlar tudo tão absolutamente.

Conversando com um rapaz que acabara de se casar, percebi isto. Ele queria controlar tanto e tudo, de forma que nada desse errado, nunca!!.

Os gastos do mês, o aluguel, o dinheiro da poupança, mas, tinha vontade de arriscar-se num curso de especialização: 

-Mas se eu começar e não conseguir pagar?

-Se não conseguir que a firma pague parte de uma bolsa para mim? E se eu tiver que interromper?

Ele só queria começar o curso se tivesse controle total sobre o futuro.

Eu comentei:

- Você pode verificar  se é possível trancar a matrícula,  descobrir o que acontece na relação da instituição com os alunos quando não é possível pagar em dia, e...  que tal arriscar um pouco, pagar para ver, pode ser que nada disto aconteça. Pode ser que a bolsa ainda saia, pode ser que você tenha um aumento. Vai que... Que tal dar uma chance para que dê certo, afinal.

Ouvi uma frase do Morgan Freeman, no trailer de um filme que eu achei muito boa: “Mergulhe, porém mergulhe sempre de olhos abertos”

 Sempre pode ser interessante dar uma brecha para outras coisas acontecerem ou para acontecerem de uma forma inusitada, nova.... e boa.

 



Maria Lydia Manara de Mello, psicoterapeuta psicanalítica.

 

(lydia.alp@terra.com.br)

Membro da APP:Associação de Psicoterapia Psicanalítica.

 


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